Protestos de Carroceiros Paralisam Trânsito e Reacendem Debate em Recife

alt ago, 19 2025

Protesto toma conta das ruas e escancara insatisfação dos carroceiros

Recife amanheceu completamente diferente na segunda-feira, 18 de agosto de 2025. Sete pontos estratégicos da cidade foram tomados por carros de boi, fumaça preta de pneus queimando, trânsito travado, buzinas, e muita gente caminhando pelo asfalto: os carroceiros decidiram protestar de forma simultânea contra a proibição de veículos de tração animal. A cena de caos urbano deixou muita gente presa no engarrafamento, especialmente na ponte José de Barros Lima, avenidas Norte, Abdias de Carvalho, Recife e Caxangá, além da congestão absurda na Agamenon Magalhães — pessoas desciam de ônibus e motos pra tentar seguir a pé, enquanto o cheiro e a fumaça das barricadas podiam ser sentidas longe dali.

Pouco depois das 6h30, o Corpo de Bombeiros foi chamado para apagar as chamas e liberar o caminho. Mas a essa altura, o recado já tinha sido dado: os carroceiros não vão aceitar calados o fim da circulação de seus veículos. O alvo do protesto é a Lei Municipal 17.918/2013, criada durante a gestão de Geraldo Júlio, que vai proibir por completo a circulação de carroças e carroceiros a partir de 31 de janeiro de 2026. A revolta dos trabalhadores cresceu quando entregaram na Câmara Municipal um documento com 10 exigências, de mudança de lei até políticas públicas de cuidado animal e cursos de qualificação de trânsito para a categoria. Liderando o grupo, Marcos Batista deixou claro: não vão parar enquanto o prefeito João Campos (PSB) não receber uma comissão dos manifestantes. Caso contrário, prometem montar barraca na sede da prefeitura e espalhar ações pela Região Metropolitana, citando até bloqueios próximos à Arena de Pernambuco na BR-232.

Choque de interesses: cultura, direitos e promessas não cumpridas

Os carroceiros defendem sua profissão como fonte de renda e parte da cultura popular do Recife, alegando que a lei trata todos de forma igual, sem separar quem cuida bem dos animais daqueles em situação de maus-tratos. Eles desejam a revogação da proibição ou ao menos uma reformulação dialogada, esperando que as regras levem em conta a realidade de quem depende da carroça pra viver.

Já a prefeitura alega que está facilitando a transição: oferece cadastramento, compensação financeira para quem entregar o animal e a carroça, cursos de qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo por meio do CredPop Recife, vagas de trabalho via GO Recife, oportunidades na Emlurb, e até doação de triciclos recicláveis. Só que, segundo os trabalhadores, na prática essas medidas acabam não atendendo todo mundo, ficam presas na burocracia e não solucionam o drama do desemprego iminente. Ou seja, sentem-se sem alternativa e sem diálogo de fato.

O impasse virou briga política dentro da Câmara Municipal. Teve audiência pública, bate-boca, e acusações de oportunismo dos dois lados. Uma parte dos vereadores tenta ganhar tempo para um acordo ou soluções mais humanas, enquanto defensores da lei batem o pé para manter a data final rígida. Por trás do debate, ativistas de defesa dos animais pressionam pelo fim da tração animal, mas pouco se fala das consequências imediatas para centenas de famílias.

Esse conflito não é novidade: em junho, protestos parecidos já tinham travado outras regiões do Recife. Agora, ganha força conforme a data do banimento total se aproxima, sem que as angústias dos carroceiros sejam amenizadas. A tensão urbana segue em alta e o futuro dos trabalhadores ainda é uma incógnita, alimentando, a cada manifestação, uma cidade dividida entre tradição, direito ao sustento e novas regras para os animais nos centros urbanos.

13 Comentários

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    Bruno Leandro de Macedo

    agosto 21, 2025 AT 06:41
    Então é isso? Pessoas andando com carroça no meio da BR-232 enquanto o prefeito tá no salão de festas da prefeitura com um champanhe na mão? 🤡 Aí sim, progresso! Só faltou um dragão de fogo respirando na Avenida Recife pra completar o espetáculo. #CulturaNacional #CarroçaÉPatrimônio
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    lu garcia

    agosto 22, 2025 AT 11:08
    Eu sei que parece difícil, mas a gente pode fazer diferente. Eles precisam de apoio, não de julgamento. E se a gente ajudasse a criar um programa de transição real, com mentoria e acesso a crédito? 💪 Um mundo melhor é possível, só precisa de gente que acredita.
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    felipe kretzmann

    agosto 22, 2025 AT 19:45
    Esses carroceiros são um atraso de século. Se não querem se adaptar, que vão pro interior e deixem a cidade moderna de vez. Não é problema deles, é problema da sociedade que ainda aceita essa barbárie. Animal de tração? Sério? No século XXI? 🇧🇷 não é país de burro, é país de futuro!
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    Junior Lima

    agosto 24, 2025 AT 06:26
    Vocês não estão vendo o quadro completo. A prefeitura oferece triciclos, cursos, CredPop, Emlurb... é um pacote completo! O problema é que muitos não querem se esforçar. É fácil ficar na zona de conforto com a carroça, mas o mundo mudou. Quem não se adapta, fica pra trás. E isso não é cruel, é realidade.
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    Leticia Mbaisa

    agosto 25, 2025 AT 22:15
    Acho que todos têm razão. E todos estão errados. O que importa é encontrar o meio.
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    Luis Silva

    agosto 26, 2025 AT 15:06
    Ah, claro. A prefeitura oferece ‘oportunidades’. Mas e se a pessoa tem 58 anos, nunca estudou, e não sabe usar um celular? E se o triciclo quebrar e não tem oficina perto? E se o curso de qualificação é só online e a internet da favela é pior que o sinal de TV aberta? Você acha que isso é justiça ou só um discurso bonito pra aplacar a consciência?
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    Rodrigo Neves

    agosto 27, 2025 AT 13:21
    É imperativo ressaltar, com a devida formalidade, que a manutenção da tração animal em centros urbanos configura uma violação ética e sanitária de escala pública, além de representar um retrocesso civilizatório inaceitável. As políticas públicas devem ser orientadas pela modernidade, e não pela nostalgia sentimental de práticas arcaicas que não mais se coadunam com os padrões de uma sociedade contemporânea.
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    Talita Resort

    agosto 29, 2025 AT 10:53
    Talvez a gente não precise escolher entre o animal e o humano talvez a gente precise criar um espaço onde os dois possam existir sem se destruir
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    Luciano Hejlesen

    agosto 30, 2025 AT 16:53
    e se os carroceiros fossem os verdadeiros heroiis da cidade? tipo eles ta ai desde sempre e agora o povo quer tirar tudo deles? e o que eles vao fazer? vao virar entregador de uber? mas e se eles nao sabem dirigir? e se eles nao tem celular? e se eles nao tem internet? e se eles nao tem... ah q merda
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    Estrela Rosa

    agosto 31, 2025 AT 18:00
    O pior não é a carroça. É o silêncio que vem depois que ela passa.
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    Janaina Jana

    setembro 2, 2025 AT 16:20
    Se a lei é de 2013 e só agora tá sendo aplicada, então o problema não é o carroceiro. É a inércia.
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    Lucas Lima

    setembro 2, 2025 AT 18:08
    É evidente que a transição socioeconômica proposta pela administração municipal carece de uma matriz de inclusão estrutural que considere a dimensionalidade da informalidade laboral e a epistemologia do trabalho não formalizado, o que implica a necessidade de um modelo de integração baseado em capital social, redes de apoio comunitário e políticas de reconhecimento simbólico, e não apenas em incentivos monetários ou logísticos. A abordagem atual é funcionalista e reducionista, e ignora a ontologia do sujeito que opera no espaço urbano como agente histórico, e não como problema a ser resolvido.
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    Dailane Carvalho

    setembro 4, 2025 AT 01:29
    Essa postura de romantizar a pobreza é perigosa. Não se pode justificar a exploração animal por causa da miséria humana. Isso é um ciclo vicioso. A solução não é manter a carroça, é erradicar a miséria com políticas públicas reais, não com discursos emocionais. E se eles não querem se adaptar, então que aceitem as consequências. A lei é clara e foi aprovada democraticamente.

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